Sim, e é cada vez mais. Mas essa beleza vem a custo de que?
Cerca de duas décadas após a popularização dos infográficos na imprensa dos EUA, a mídia como um todo vive um novo período de transformação de tudo quanto é tipo de informação em visualização. A digitalização das redações foi um dos aspectos da primeira transformação visual da imprensa. A crescente possibilidade de acesso às ferramentas de produção e edição de imagem continua sendo uma das causas da retomada dessa transformação nos últimos anos. Outro fator importante no contexto atual é a maior concorrência entre os meios de comunicação para alcançar a atenção do leitor, usuário, colaborador, etc.
Grandes reportagens e grandes temas que estão em pauta dificilmente não são acompanhados de um resumo visual em um infográfico. Um texto longo e corrido transformado em um modelo esquemático embelezado com cores e formas. Na era dos 140 caracteres e da atenção dispersa é preciso resumir, cortar ainda mais as palavras do já enxuto e mastigado texto jornalístico.
“Ninguém lê na internet”. Ideias como essa são passadas de geração em geração entre aqueles que trabalham no meio. Elas servem para reforçar os ideais de concisão, brevidade e atração que uma informação deve ter para ser lida. É a informação desenhada, perfeita para ser lida na tela do iPad nos minutos entre uma tarefa e outra, durante uma corrida no táxi ou até a próxima estação do metrô. Concentração e dedicação maiores são exigidas para ler três ou quatro páginas de texto. No percurso entre as páginas há muitas distrações e possibilidades de desvio (de banners a conteúdos sugeridos) e a ansiedade de chegar até o final sem pular para a próxima informação é cada vez maior e mais ameaçadora. (Aquele vídeo de 6 minutos do YouTube já está ficando longo demais se não posso pular para as melhores partes).
O design passou a ser parte fundamental da informação. Ele não diz o que será contado na história, mas diz como deve ser contado. Porém, abrir mão da informação no seu formato textual não significa sempre expandir a base de leitores e nem de acelerar a compreensão do que está sendo informado. Não são poucas as pesquisas que mostram a dificuldade dos estudantes e professores em interpretar os mais simples gráficos. E não há cores e formas atraentes que consigam suprir tal deficiência. Ficamos de um lado com o crescente embelezamento da informação. E do outro com uma base de leitores não muito bem preparada para interpretar e analisar essa informação. Como resultado teremos belas imagens abstratas que nada comunicam e informam além da beleza em si.
Se é verdade que as pessoas não estão habituadas a ler longos textos na internet, é preciso lembrar que cada vez mais elas dão preferência a este meio para se informar. É preciso ter consciência que a mudança na forma de consumo de informação traz facilidades e prazeres mas não nos livra (ou mesmo potencializa) de alguns problemas já existentes.



