A discussão sobre o novo normal se dá também nas nossas rotinas digitais. Com a semi-temporária redução do deslocamento urbano, já estamos observando um ressurgimento das telas grandes. Nos últimos meses, Facebook, Netflix e YouTube tiveram seus números nos aplicativos estagnados ou reduzidos, enquanto o acesso aos respectivos sites cresceu.

Talvez seja um momento em que lembramos como é desconfortável física e mentalmente ter um pequeno dispositivo como nossa principal forma de navegação. É também um resgate da nossa casa, depois de muito tempo, como o principal local do qual acessamos a internet. Um ambiente mais acolhedor, familiar, sem as restrições burocáticas do escritório. Por outro lado, um ambiente com mais distração e menos foco.

Claro, os fluxos e os hábitos dos usuários são algo extremamente dinâmico, o que obriga a as empresas e instituições estarem constantemente se remodelando e observando novas tendências. Mas cada vez mais fica claro que a pandemia não é algo tão passageiro quanto se imaginava.

Outra mudança em discussão é o crescimento de acesso a sites de notícias locais. No caso de Minas Gerais, por exemplo, tanto o EM quanto O Tempo cresceram em número de acesso desde fevereiro, quando o tema pandemia ganhou velocidade e espaço.

Azul = EM / Amarelo = O Tempo

A recente tendência é observada também em portais de jornalismo do interior do Estado, que, no contexto atual do mercado, consegue oferecer informações mais aprofundadas e atualizadas do que as equipes da capital.

Azul = DeFato Online / Amarelo = Tribuna de Minas

Em meio a todo questionamento de fontes de informação, é um alívio ver que sites oficiais que ajudam a esclarecer e combater informações erradas ganharam enorme público. É o caso do portal da Fiocruz. O fôlego, claro, é difícil de manter ao longo do tempo e rapidamente as pessoas passam a criar novos interesses. O desafio para essas instituições é como converter ao menos uma pequena parte do público temporário em leitor frequente.

Por outro lado, a busca por conteúdos relacionados a esportes caiu de forma drástica, mesmo comparado com meses em que praticamente não há competição (no caso do Brasil). O efeito aqui, obviamente, será o inverso assim que as bolas começarem a rolar.

Amarelo = ESPN.com / Azul = Globoesporte

Uma das conversas mais comuns sobre a pandemia (ainda em curso e sem previsão de acabar) é que ficará dela. Quais hábitos permanecerão? Como o tal novo normal se aplica ao nosso uso de ferramentas digitais? Não podemos esquecer que, paralelo a tudo isso, vivemos momentos também intensos no novo capítulo da discussão de privacidade da web, dessa vez galvanizado pelo tema das fake news e pelo imbroglio político que ele gera. Do possível banimento do TikTok nos EUA (que será tardiamente seguido no Brasil?), um dos apps que mais cresceu nos últimos meses, ao trágico PL das Fake News que resolveu brigar com o conteúdo e não com as fontes financiadoras do mesmo.

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